Blog de orientação cristã católica. Conteúdos variados numa perspectiva cristã.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Comunicação para a Comunhão - por Dom Demétrio Valentini
segunda-feira, 14 de maio de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
As dores da Páscoa - por padre Orivaldo Robles
sexta-feira, 6 de abril de 2012
As coisas antigas já se passaram
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Eucaristia: centro da vida eclesial e do ministério presbiteral
quarta-feira, 21 de março de 2012
A Corrupção - por Padre João Batista Libânio
sexta-feira, 16 de março de 2012
Há quinze anos
Há quem afirme que não se vive do passado. É verdade. Um passado que constantemente retorna para assombrar precisa ser exorcizado e acolhido com fraternidade para se tornar um irmão a mais no caminho da vida.
Porém, lembrar, fazer memória, é próprio de nossa humanidade.
E é assim que celebro a data de hoje. Há quinze anos, dez horas da manhã, na cidade de Floraí-PR, estávamos muitos amigos e irmãos na fé reunidos para minha ordenação presbiteral. Enfim chegara o momento tão esperado.
Foi um momento de fé, mas de ansiedade, expectativa, e por fim, de realização.
Eu sabia que a caminhada não chegara ao seu termo. Mas era mais uma etapa superada.
Aguardava ansioso a possibilidade de presidir minha primeira missa, celebrar os primeiros sacramentos, assumir minha primeira paróquia.
E, com o tempo, tudo isso foi acontecendo. E quanto êxtase a cada passo.
Passados quinze anos já percebo muitas marcas do tempo. Não sou mais aquele jovem sem experiência e com a convicção de possuir muitas verdades. Sou um cristão adulto com a convicção de que há muitas verdades a serem descobertas e colocadas em prática.
Tenho consciência de minhas falhas e por elas peço perdão. Algumas delas insistem em manter-se no palco, sob a ribalta, mas há uma Luz muito mais forte que coloca todos os atores nos seus devidos papéis. E assim, a vida segue seu curso.
Agradeço tudo que recebi ao longo desses anos. Quantas amizades construídas, quantas experiências vividas na partilha da fé, quantos bons momentos... O Senhor prometeu, o Senhor cumpriu: cem vezes mais já neste mundo.
Obrigado a todos que compartilham este momento comigo com sua presença, com sua oração. Obrigado Deus, por confirmar a cada dia a minha vocação. "Para fazer, não a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" Jo 6,38.
terça-feira, 13 de março de 2012
A questão do aborto - por Dom Odilo Scherer
De novo, em pauta a questão do aborto. Estamos num ano eleitoral, os partidos vão costurando suas alianças e, como não podia deixar de ser, na pauta dos ajustes também entram questões polêmicas, em discussão há mais tempo pela opinião pública e também no Congresso Nacional.
Há quem gostaria que certos temas delicados não estivessem nos grandes debates político-eleitorais, talvez para não exigir uma tomada de posição clara perante os eleitores; prefere-se, então, qualificá-las como “questões religiosas”, das quais o Estado laico não se deveria ocupar, nem gastar tempo com elas na discussão política... Não penso assim.
Decisões sobre a vida e a morte de outros seres humanos, sobre o modelo de casamento, família e educação, sobre justiça social e princípios éticos básicos para o convívio social são questões do mais alto interesse e relevância política. Dizer que são “temas religiosos” significa desqualificar a sua discussão pública, relegando-os à esfera da vida privada, ou ao ativismo de grupos voltados mais para interesses particulares do que para o bem comum. Tirar da pauta política esses temas também poderia sugerir que pessoas sem religião não precisam estar vinculadas a valores e convicções éticas, o que é falso e até ofensivo.
Preocupo-me quando ouço que, no Brasil, a cada ano são realizados mais de 1 milhão de abortos “clandestinos” e que tantas mil mulheres (número bem expressivo!) morrem em consequência de abortos mal feitos! Há algo que não convence nesses números e afirmações. Sendo clandestinos, como pode alguém afirmar com tanta certeza dados tão impressionantes? Maior perplexidade ainda é suscitada quando isso é afirmado por uma autoridade representativa do Estado, mostrando que tem, supostamente, conhecimento seguro de uma violação aberta e grave da lei e nada fazendo para que ela seja respeitada para preservar tantas vidas! De fato, continua valendo a lei que veta o aborto indiscriminado no Brasil.
Esses números assombrosos ou estão pra lá de superdimensionados e manipu-lados para pressionar e atingir, de maneira desonesta, objetivos almejados, ou, então, alguém está faltando com seu dever de maneira consciente e irresponsá-vel, deixando que a lei seja violada impunemente, em casos tão graves, nos quais vidas humanas inocentes e indefesas são ceifadas, às centenas de milhares, ou até na conta dos milhões!
É lamentável a morte de cada mulher em consequência de um aborto clandesti-no e mal feito. Lamentável também, e muito, é a sorte trágica de cada ser humano que tem a sua vida tolhida antes mesmo de ter visto a luz. Se há um problema de saúde pública a ser encarado, a solução não deveria ser a instrumentalização dessa tragédia humana para promover a legalização do aborto. Dar roupagem legal à tragédia curaria a dor e faria sossegar a consciên-cia? Questão de saúde pública deve ser enfrentada com políticas voltadas para a melhoria da saúde e das condições de vida, e não para a promoção da morte seletiva. Uma campanha de conscientização sobre a ilegalidade das práticas abortistas protegeria melhor a mulher e o ser que ela está gerando. Haveria muito a fazer para alertar contra os riscos do recurso às clínicas – nem tão clandestinas – de “interrupção da gravidez”. Alguém conhece alguma campanha do governo ou alguma política pública para desestimular práticas abortivas contrárias à lei e arriscadas para a saúde da mulher? Não seria o caso de fazer?
Está em curso a discussão sobre a reforma do Código Penal Brasileiro; em muitas coisas, certamente, ele deverá ser revisto e adequado. Chama, no entanto, a atenção e merece uma reflexão atenta da sociedade a proposta relativa ao artigo 128, sobre novos casos de aborto “não puníveis”, além dos dois casos já previstos – risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro (cf. http:/migre.me/845Dp).
No inciso I do artigo 128, propõe-se que não haja crime “se houver risco de vida ou à saúde da gestante”. A alusão ao “risco à saúde da mulher” é absolutamente vaga e, por si só, já ofereceria base para a universalização do aborto legal.
No inciso II, propõe-se que não haja crime se a gravidez resultar de “violação da dignidade sexual, ou do emprego de técnica não consentida de reprodução assistida”. O que se pretende qualificar como “violação da dignidade sexual”? O delito, neste caso, não aparece configurado e poderia ser facilmente alegado, sem que ninguém fosse capaz de comprovar a real ocorrência dos fatos. Além disso, a “reprodução assistida” já está legalizada e regulamentada no Brasil?
No inciso III do mesmo artigo, propõe-se que não haja punibilidade quando “comprovada a anencefalia, ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado pelo médico”. Além da anencefalia, já em discussão no Supremo Tribunal Federal, acrescentam-se outras “graves e incuráveis anomalias”, o que é preocupante, pois isso abriria as portas para uma inaceitável, do ponto de vista ético, “seleção pré-natal” dos indivíduos considerados “aptos” a viver e o descarte de outros, considerados “inviáveis”.
É o controle de qualidade aplicado ao ser humano, já praticado em tempos passados por regimes condenados quase universalmente por suas práticas eugênicas. Vamos legalizar isso no Brasil agora?! No inciso IV, propõe-se que, “por vontade da gestante até a 12.ª semana de gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”, o aborto poderia ser praticado sem penalidades. Passa-se ao médico o peso da decisão sobre a vida ou a morte de seres humanos. Acho isso absolutamente inadequado!
É preciso refletir muito, para não legalizar a banalização da vida humana.
Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/29257-cardeal-de-sao-paulo-se-manifesta-sobre-a-questao-do-aborto em 13.03.12
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Quaresma hoje - por padre Orivaldo
Quem viveu no Brasil rural do século passado lembra o pavor que a Quaresma incutia no povo simples com a ameaça do lobisomem. Havia muitas crendices, que hoje provocam risos até em crianças. Por isso, gente desinformada, às vezes, dirige críticas ferozes à prática religiosa. Nada a ver; fé é uma coisa, superstição é outra. Apesar de alguns não gostarem, religiões sérias firmam-se em bases sólidas. Não se identificam com a ignorância ou a malandragem que, infelizmente, se pode ver aqui e ali.
A Quaresma nasceu do antigo catecumenato, período de preparação ao batismo. Para receber a vida nova da Páscoa, os candidatos deviam abandonar o modo pagão de viver. Eram instados à conversão, isto é, à mudança de caminho. Esse é o sentido original de penitência. Com o passar dos séculos, o enfoque se perdeu. O povo passou a se contentar com a mera observância de ritos exteriores. No Concílio Vaticano 2° (1962-65), a Igreja do Brasil retomou a penitência como tarefa da vida real. Criou a Campanha da Fraternidade (1964), indicando situações existenciais do nosso povo, que precisam mudar. O cristão tem o dever de se tornar agente dessa mudança.
Religião se pratica com a mão na massa. “Somos responsáveis uns pelos outros” (lema da CF-1966), “somos todos irmãos” (CF-1967), temos que “crer com as mãos” (CF-1968). Penitência é nos empenharmos na erradicação de tudo o que causa sofrimento aos nossos irmãos. Nestes 49 anos, a CF focalizou água, alimento, comunicação, desemprego, ecologia, ecumenismo, educação, encarcerados, excluídos, família, fome, justiça, juventude, menores abandonados, migrantes, moradia, mulher, mundo do trabalho, negros, política, povos indígenas, segurança, vida humana, violência etc. Neste ano, o tema é saúde, preocupação da maioria dos brasileiros.
Nestes dias comenta-se a Lei da Ficha Limpa. Embora ninguém lembre, ela nasceu de iniciativa da Igreja Católica. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (www.mcce.org.br), que reúne 51 entidades, reconhece: “A Campanha da Fraternidade de 1996, que teve por tema ‘Fraternidade e Política’, contribuiu para aflorar a criação do MCCE, porque, posterior à campanha, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou o Projeto ‘Combatendo a corrupção eleitoral’, em fevereiro de 1997”. A Igreja Católica participou na implantação das duas únicas leis de iniciativa popular (Lei 9840/1999, da compra de votos, e Lei Complementar 135/2010, da ficha limpa). Quase 90% dos milhões de assinaturas enviadas ao Congresso Nacional, nas duas oportunidades, foram recolhidas às portas das igrejas paroquiais espalhadas por todo o Brasil.
A gente não está contando vantagem. Não é praxe católica fazer publicidade. A mão esquerda não deve saber o que faz a direita (cf. Mt 6,3). Mas não custa, de vez em quando, divulgar o que alguns ignoram ou fazem questão de omitir. Reconhecemos nossos erros de ontem e de hoje. Pedimos sinceramente perdão. Mas somos responsáveis por muito mais do que Inquisição e pedofilia. A primeira se deu em contexto histórico-cultural bem diferente do atual. Quanto à segunda: entre os 20.000 padres do Brasil, foram achados menos de 40 pedófilos (nem 0,02%). É justo, a todo instante, sermos todos acusados desse crime?
Padre Orivaldo Robles
Vigário da catedral Nossa Senhora da Glória - Maringá


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