sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Feliz Ano-Novo - por Frei Betto


Por que desejar Feliz Ano-Novo se há tanta infelicidade à nossa volta? Será feliz o próximo ano para afegãos e palestinos, e os soldados usamericanos sob ordens de um governo imperialista que qualifica de "justas” guerras de ocupações genocidas?
Serão felizes as crianças africanas reduzidas a esqueletos de olhos perplexos pela tortura da fome? Seremos todos felizes conscientes dos fracassos de Copenhague, que salvam a lucratividade e comprometem a sustentabilidade?
O que é felicidade? Aristóteles assinalou: é o bem maior a que todos almejamos. E meu confrade Tomás de Aquino alertou: mesmo ao praticarmos o mal. De Hitler a madre Teresa de Calcutá, todos buscam, em tudo que fazem, a própria felicidade.
A diferença reside na equação egoísmo/altruísmo. Hitler pensava em suas hediondas ambições de poder. Madre Teresa, na felicidade daqueles que Frantz Fanon denominou "condenados da Terra”.
A felicidade, o bem mais ambicionado, não figura nas ofertas do mercado. Não se pode comprá-la, há que conquistá-la. A publicidade empenha-se em nos convencer de que ela resulta da soma dos prazeres. Para Roland Barthes, o prazer é "a grande aventura do desejo”.
Estimulado pela propaganda, nosso desejo exila-se nos objetos de consumo. Vestir esta grife, possuir aquele carro, morar neste condomínio de luxo – reza a publicidade – nos fará felizes.
Desejar Feliz Ano-Novo é esperar que o outro seja feliz. E desejar que também faça os outros felizes? O pecuarista que não banca assistência médico-hospitalar para seus peões e gasta fortunas com veterinários de seu rebanho, espera que o próximo tenha também um Feliz Ano-Novo?
Na contramão do consumismo, Jung dava razão a São João da Cruz: o desejo busca sim a felicidade, "a vida em plenitude” manifestada por Jesus, mas ela não se encontra nos bens finitos ofertados pelo mercado. Como enfatizava o professor Milton Santos, acha-se nos bens infinitos.
A arte da verdadeira felicidade consiste em canalizar o desejo para dentro de si e, a partir da subjetividade impregnada de valores, imprimir sentido à existência. Assim, consegue-se ser feliz mesmo quando há sofrimento.
Trata-se de uma aventura espiritual. Ser capaz de garimpar as várias camadas que encobrem o nosso ego.
Porém, ao mergulhar nas obscuras sendas da vida interior, guiados pela fé e/ou pela meditação, tropeçamos nas próprias emoções, em especial naquelas que traem a nossa razão: somos ofensivos com quem amamos; rudes com quem nos trata com delicadeza; egoístas com quem é generoso; prepotentes com quem nos acolhe em solícita gratuidade.
Se logramos mergulhar mais fundo, além da razão egótica e dos sentimentos possessivos, então nos aproximamos da fonte da felicidade escondida atrás do ego. Ao percorrer as veredas abissais que nos conduzem a ela, os momentos de alegria se consubstanciam em estado de espírito. Como no amor.
Feliz Ano-Novo é, portanto, um voto de emulação espiritual. Claro, muitas outras conquistas podem nos dar prazer e alegre sensação de vitória. Mas não são o suficiente para nos fazer felizes. Melhor seria um mundo sem miséria, desigualdade, degradação ambiental, políticos corruptos!
Essa infeliz realidade que nos circunda, e da qual somos responsáveis por opção ou omissão, constitui um gritante apelo para nos engajarmos na busca de "outros mundos possíveis”. Contudo, ainda não será o Feliz Ano-Novo.
O ano será novo se, em nós e à nossa volta, superarmos o velho. E velho é tudo aquilo que já não contribui para tornar a felicidade um direito de todos. À luz de um novo marco civilizatório há que superar o modelo desenvolvimentista-consumista e introduzir, no lugar do PIB, a FIB (Felicidade Interna Bruta), fundada na economia solidária e sustentável.
Se o novo se faz advento em nossa vida espiritual, então com certeza teremos, sem milagres ou mágicas, um Feliz Ano-Novo, ainda que o mundo prossiga conflitivo; a crueldade travestida de doces princípios; e o ódio disfarçado de discurso amoroso.
A diferença é que estaremos conscientes de que, para se ter um Feliz Ano-Novo, é preciso abraçar um processo ressurrecional: engravidar-se de si mesmo, virar-se pelo avesso e deixar o pessimismo para dias melhores.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=73023

sábado, 15 de dezembro de 2012

Irmãs deixam o Albergue - por padre Orivaldo Robles


“Desde o final dos anos 40, praticamente desde seu nascimento, a cidade de Maringá acostumou-se com o espetáculo de gente indo e vindo em busca de emprego. No início, eram trabalhadores rurais, sem outra qualificação além dos próprios braços, atrás de alguma colocação nas muitas propriedades de café que se abriam com a derrubada do mato. Perambulavam pela cidade e, como não dispunham de dinheiro, também não conseguiam hospedagem nos poucos hotéis existentes. Ao chegar, dom Jaime encontrou funcionando na cidade um “albergue”; na verdade, modesta hospedaria de madeira sem conforto, mantida pelo poder público estadual, onde os necessitados recebiam atendimento sofrível. Condoído dessa parte infeliz do seu rebanho, em 1958 iniciou entendimentos com os responsáveis do FATR – Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, precursor do FUNRURAL, sobre a possibilidade de transferir para a Igreja Católica o cuidado da instituição. Em 27 de março de 1959, as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo vieram dirigir a obra que, por causa da cofundadora da congregação (junto com São Vicente de Paulo), recebeu o nome de Albergue Santa Luiza de Marillac. O primeiro grupo era formado por irmãs Sebastiana Domingues, Ivone Nazari e Delfina Gretter. Ao longo de seus quase 50 anos nas mãos da Igreja, foi recebendo reformas e melhoramentos, ampliando-se sempre mais, a ponto de hoje oferecer instalações e atendimento dificilmente igualados por instituição oficial destinada à mesma clientela” - trecho do livro deste cronista “A Igreja que brotou da mata – Os 50 anos da Diocese de Maringá” (pág.190-191, Dental Press Editora, 2007).
Por mais de cinco décadas o albergue prestou “atendimento aos pobres, oferecendo cuidados de higiene, alimentação, pernoite, roupas, calçados, medicamentos, além de assistência social para encaminhamento na solução de problemas individuais como saúde mental, internamento hospitalar, procura de familiares, retorno à região de origem etc. São ainda proporcionados serviços de aconselhamento em situações difíceis, e orientação espiritual. Com uma clientela diária girando por volta de 100 pessoas, ou mais de 2500 pobres acolhidos por mês, o albergue vem ultimamente assistindo uma média superior a 30.000 clientes/ano” (id. ib.).
A alma do albergue e a razão da credibilidade do trabalho ali desenvolvido sempre foram as prestimosas irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a mesma congregação que cuida do Núcleo Social Papa João 23, onde somam esforços também os Irmãos Maristas das Escolas, através do Centro Social Marista Irmão Beno Tomasoni. Quem quiser conhecer o amor dessas irmãs aos pobres peça a dom Jaime que fale sobre irmã Salomé Dets, autêntica irmã Dulce maringaense, que aqui trabalhou na década de 60, fazendo sempre questão de atender os mais miseráveis e desprezados de todos. Não é verdade, como alegam alguns, que as irmãs não farão falta. Farão, sim, e muita. Foi pelo seu exemplo que centenas ou milhares de voluntários se sentiram estimulados a colaborar para que o albergue chegasse àquilo que é hoje. Por 20 anos, eu mesmo incentivei os fiéis da Paróquia Santa Maria Goretti a colaborar com o albergue. A resposta sempre foi admirável. Não seria porque a total entrega das irmãs mostrava de forma clara como os pobres devem ser tratados?

sábado, 8 de dezembro de 2012

Rubem Alves e o presépio - por padre Orivaldo Robles


Tenho uma saudável inveja do pensador Rubem Alves. Nada de mais que um padre seja fã de carteirinha de um pastor protestante. Que já não pastoreia, mas continua a oferecer preciosidades da fé, da cultura e das letras. Sem pedir licença, transcrevo quase inteira sua crônica de 23/12/ 2008, publicada originalmente na Folha de São Paulo:
“Menino, lá em Minas, eu tinha inveja dos católicos. Eu era protestante sem saber o que fosse isso. Sabia que, pelo Natal, a gente armava árvores com flocos de algodão imitando neve que não sabíamos o que fosse. Já os católicos faziam presépios.
Os pinheiros eram bonitos, mas não me comoviam como o presépio: uma estrela no céu, uma cabaninha na terra coberta de sapé, Maria, José, os pastores, ovelhas, vacas, burros, misturados com reis e anjos numa mansa tranquilidade, os campos iluminados com a glória de Deus, milhares de vagalumes acendendo e apagando suas luzes, tudo por causa de uma criancinha. A contemplação de uma criancinha amansa o universo.
O Natal anuncia que o universo é o berço de uma criança. Até os católicos mais humildes faziam um presépio. As despidas salas de visita se transformavam em lugares sagrados. As casas ficavam abertas para quem quisesse se juntar aos reis, pastores e bichos. E nós, meninos, pés descalços, peregrinávamos de casa em casa, para ver a mesma cena repetida e beijar a fita. Nós fazíamos os nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser verdejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celuloide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincar com as serpentes venenosas. A estrebaria nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam, nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila. Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes, que se fazia com um pedaço de espelho quebrado. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. [...] Um presépio verdadeiro tem de ser infantil. E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranquila éramos nós mesmos. Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro da cena. (Não é possível estar dentro da árvore!). Éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores. [...] Seria tão bom se os pais contassem essa estória para os seus filhos”!
Ah, velho mestre, os pais não perdem tempo com isso, não. Hoje o povo pratica uma religião nova e sedutora: o comércio. As pessoas frequentam o shopping, seu templo atual. Adoram um novo deus, o mercado. Cultivam virtudes novas: moda, luxo, compras, consumo... Pregadores agora são os promotores de vendas.  O Menino Jesus não passou no teste. Ele não se dá bem com dinheiro. Contrataram Papai Noel, um fenômeno de vendas. À sua chegada fazem festa. O Menino? Ah, não ligam mais pra ele.
Não é estranho? Pois o Natal comemora justamente o seu nascimento!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Gente que ainda existe - por padre Orivaldo Robles


Num dia desta semana, encontrei por acaso duas amigas queridas. Trocamos algumas palavras. Conversa entre amigos não segue planejamento nem conhece trava ou segredo. É papo aberto, que brota da liberdade e da confiança, sobre qualquer assunto. Não se sujeita à censura nem fiscaliza as palavras. É inevitável sair algo que estranhos tomariam por grosseria. Como um daqueles despautérios do personagem Chaves, da TV, que, após soltá-lo, corre logo a desculpar-se: “Me escapou!”. Uma das amigas falava sobre seu filhinho, que se mostra sempre atento às necessidades dos outros. Deu um exemplo para ilustrar. A uma senhora que, por pouco, não tinha levado um tombo capaz de feri-la com gravidade, ele perguntou: “A senhora está bem? Está precisando de alguma coisa?” Isso lá é conversa de um menino de cinco anos? Mal tinha a mãe contado o episódio, fui tomado pelo espírito do Chaves. Sem refletir, soltei em voz alta: “Vai ser um bobo a vida inteira”. Eu não pensava só no garotinho. Nem me referia diretamente a ele. Tinha em mente o meu velho e o seu peculiar jeito de enfrentar a vida.
O pai foi, em todos os seus dias, um daqueles que hoje a maioria das pessoas chama de tonto. Nunca foi capaz de admitir mentira. Acreditava piamente no que escutava. Aferrava-se à verdade com paixão. Não sabia enganar. Não conseguia puxar o tapete de quem quer que fosse. Menos ainda, passá-lo para trás, de qualquer maneira. Se topasse na rua com um pacote de dinheiro, com certeza não ia sossegar enquanto não achasse o dono. Na época em que nasci, era proprietário de um sítio em sociedade com tio Chico Zangali. (Em casa sempre ouvi contar maravilhas sobre o sítio da Santa Bárbara, que não tive oportunidade de conhecer.) Na mesma época o pai sofreu uma cirurgia de estômago. Quiçá para pagar tratamento de saúde – os filhos jamais cobraram explicação –, ele vendeu ao tio Chico a sua parte do sítio. Nunca mais foi dono de um palmo de terra. Sequer do lote em que repousam seus ossos, por mim conseguido, trinta anos depois.
Não precisei, felizmente, explicar às amigas porque o filhinho de uma delas ia ser um bobo, vida afora. Bastou contar poucas “aventuras” do pai. Minha amiga pôs-se a discorrer sobre as do seu que, para sua felicidade, ainda vive. Embora mais novo, a escola da vida em que se formou comprova que o tempo não introduziu mudanças no seu conteúdo programático. Ambos nossos pais pertencem àquela espécie de homens que supomos inencontráveis no nosso infeliz mundo de hoje. Ela contou coisas lindas a respeito dele, homem bom, destituído de qualquer malícia. Não desconfia da maldade de ninguém. Para ele todos são bons. Se familiares colocam reparo na ingenuidade do seu julgamento, ele se contraria: “Vocês não acreditam em ninguém. Pensam que só existe gente ruim”.
Há tempo venho refletindo nessas coisas. As notícias ajudam a formar nossa opinião sobre fatos e pessoas. Mas só se noticiam coisas ruins. Ninguém escuta, por exemplo, que mães são capazes de passar fome pelos filhos. Que pais trabalham à exaustão para lhes garantir um futuro digno. Na mídia pessoas humildes só aparecem como bandidos ou vítimas. No entanto são elas que carregam o mundo nas costas. A maioria absoluta da humanidade é formada de pessoas humildes e boas. Onde encontrá-las? Em nossa casa, em nossa rua. Basta olhar nosso pai, nossa mãe. E todos os que parecem com eles. Esses são os construtores do mundo bom que queremos.
Ainda bem que existem.   

sábado, 24 de novembro de 2012

Eu desisto - por padre Orivaldo Robles


Afirmação até certo ponto ufanista assegura: “Eu sou brasileiro; não desisto nunca”. Tentei levá-la à prática. Foi quando apareceram as faixas de pedestres nas ruas (sinalização horizontal) e, ao lado, placas de advertência (sinalização vertical). Em país civilizado tais placas são dispensáveis. Basta a sinalização horizontal. Mas nós somos diferentes. Abracei a quixotesca tarefa de ajudar pessoas a atravessar a rua. Contribuiria para criar entre nós um clima urbano mais cortês. Do que, aliás, Maringá precisa. Tolo que sou e cabeçudo, ainda por cima, comecei a solitária campanha de levar à observância da faixa de pedestres. Andando a pé por onde não havia sinal luminoso, eu levantava um braço para indicar minha intenção de cruzar a rua, enquanto, com a outra mão, apontava as listras brancas no asfalto. Ocasiões houve em que motoristas educadamente me cederam a preferência. Noutras, a reação foi menos amigável. Dirigiram-me buzinadas raivosas. Ou me homenagearam com gentilezas do tipo “Quer morrer, seu louco?” ou “Está bêbado, f.d.p.”?  
Quando ao volante ou guidão de veículo motorizado, sentimo-nos donos do mundo. A cidade toma contornos de nosso quintal. Dela desfrutamos conforme nosso alvedrio. Admito que por descuido já invadi faixa de pedestres. Estou-me esforçando para não repetir. Procuro não esquecer que nascemos pedestres, não motorizados. Não é justo entregar a cidade aos carros tornando um inferno a vida das pessoas. Estas são anteriores a eles. Quem chegou primeiro tem direito assegurado.
Por algum tempo sustentei uma inútil disputa. Não contra moinhos de vento, mas contra bólidos motorizados capazes de levar à morte ou ferir com gravidade. Reconheço que me comportei ingenuamente. Não pretendo engrossar com meu nome a extensa lista de vítimas. Cansei. Venho honestamente depor as armas. Aceito a derrota. Sou brasileiro, mas eu desisto.
A gota d’água, que fez entornar o copo, foi vertida por bela e desconhecida jovem, semana passada, numa avenida binária. Ela vinha a uma distância de bons vinte metros. Quatro placas (uma de cada lado de ambas as vias) apontavam-lhe a faixa de pedestres. Pouco antes, dois avisos. Um tinha alertado: “50 km”. A seguir, outro: “Pare”. Ergui bem alto um pacote branco que tinha na mão e entrei na faixa. Julguei seguro. Tanto que um furgão se deteve. Impossível não me ver. A moça – não acredito que nos 50 km/h recomendados – não aliviou. Para não me ferir, teve que frear. Mas parou em cima da faixa; eu passei na beiradinha. Com a face rubra de susto e raiva, me repreendeu gritando: “O senhor não pode ir-se jogando na faixa. Uma hora, o senhor vai morrer por causa disso”. Foi o que falou, mas inconscientemente talvez pensasse outra coisa. Assim como: “Eu sou jovem, bonita, rica e dirijo um carro novo. Você é velho, feio, pobre e anda a pé. Eu sou mais importante do que você. Como ousa atrapalhar minha passagem”?
 Não me joguei, apenas passei sobre a faixa, que não é nenhuma Brastemp, mas ainda está visível no asfalto. Se bem que umas mãos de tinta não lhe fariam mal. E não custam nenhuma fortuna.
Desculpe, moça bonita. Você está certa. Pedestre tem mesmo que sempre dar a vez para os veículos. Dirija seu precioso carro como quiser. Para que encher sua elegante cabecinha com ridículas normas de trânsito, não é mesmo?     

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Padre Makiyama - por Padre Orivaldo Robles


Seu nome brasileiro era Pedro. Em verdade, chamava-se Watar. Mas para nós sempre foi o Makiyama. Nome japonês comum para alguém muito pouco comum.
Deus sabe de que forma se manifestou a vocação em sua vida. E como foi difícil realizá-la. Na adolescência teve a ideia de ser padre. Mas jesuíta, como São Francisco Xavier, missionário na Índia e no Japão. Só que precisava trabalhar na roça para ajudar a família. Levou tempo até entrar na Escola Apostólica de Nova Friburgo (RJ), onde os jesuítas começavam a preparação dos seus candidatos. A pouca base escolar do Norte do Paraná dificultou-lhe acompanhar o estudo puxado. Penosamente, seguiu até à Filosofia, em Belo Horizonte. Foi aconselhado, porém, a desistir. A se tornar religioso, mas irmão leigo.  Não concordou. Voltou ao Paraná.
Procurado, Dom Jaime o acolheu e encaminhou a Curitiba para os quatros anos da Teologia, etapa final da formação de padre. Foi nessa fase que se tornou companheiro de seminário, meu e do Almeida. Mais velho que nós uma década e pedrada, os estudos teológicos pesaram-lhe como duro fardo. Empenhava-se ao extremo. Carecia, porém, de melhor embasamento escolar, que a Colônia Esperança, em Arapongas, não lhe dera na infância, quando nem compreendia direito a língua portuguesa. Talvez tenha vindo daí seu costume da falar pouco. Mas ele não desistiu. Era um lutador.
O Almeida e eu nos pusemos à sua disposição para ajudá-lo naquilo de que precisasse. Passamos a estudar com ele, sobretudo em ocasião de provas, que preparávamos a três ou dois, ele sempre junto. Foi nossa contribuição acadêmica ao irmão de diocese. Venceu. Por toda a vida se mostraria agradecido. Muito além do nosso merecimento, se é que tivemos algum. Quantas pessoas o ouviram dizer que, sem nossa ajuda, não teria chegado a ser padre. Bondade dele.
Além de companheiro, no seminário atraía a admiração como esportista. Foi goleiro de postura garbosa e firme. Não atingiu a classe de um João Ukachenski, do seminário lazarista, que lembrava Lev Yashin, o “Aranha Negra” da União Soviética. Mas dava “pontes” de encher os olhos. Também nadava com perfeição. Já padre, nas férias ia com paroquianos à praia. Gostava de atravessar a nado a baía de Guaratuba. Quando se cansava, flutuava de costas refazendo as forças para novas braçadas. Uma ocasião, ao guarda-vidas que o alcançou pensando socorrê-lo, perguntou calmamente: “O senhor está bem”?
Já lá se vão quase 46 anos que o primeiro bispo de Maringá nos ordenou padres, a nós três, em celebração única, na frente da Catedral velha. Nós o provocávamos para arrancar-lhe alguma palavra. Senão, ele não abria a boca. Um anacoreta dos tempos modernos. Quando completou 80 anos, ofereceram-lhe uma festa. Nunca o vimos tão feliz. Fez um discurso de 15 minutos. Fato digno de registro.
Doutor Camargo foi sua última paróquia. Também seu mundo e sua família nestes 26 anos. Amou profundamente aquela gente e dela recebeu amor igual. Veio buscá-lo a irmã morte no dia 13 passado, à noite. Morreu como sempre vivera: em total pobreza, rico somente do amor de Deus e do carinho do seu povo. Tive ocasião de testemunhar, em Doutor Camargo, um espetáculo grandioso e triste: uma igreja repleta de pessoas que só rompiam o silêncio para rezar e cantar. Não pude olhar para elas. A maioria, suponho, estava como eu, com os olhos toldados por lágrimas. Desde o começo da missa até o instante em que, no cemitério, baixamos seu caixão à terra, que a todos nos vai receber.

sábado, 10 de novembro de 2012

Perigo doce - por padre Orivaldo Robles


Tio Vitoriano era dono de um carro de praça. Estávamos em 1951. Nenhum de nós tinha ainda ouvido a palavra táxi. Pelas tantas, os parentes começaram a mostrar incomum preocupação com o patriarca, o vô Rogelio, que o pai chamava de “meu sogro”. Não Rogério, mas Rogelio, como se fala em espanhol. Por influência das muitas famílias italianas do lugar, nos acostumamos a dizer “nona” e “nono”, em vez de vó e vô. Que eu tivesse sabido, ele nunca saíra daquele sítio. Nem cuidara da saúde. Aos 77 anos, obeso, como se descobriu que era diabético jamais entendi. De que meios dispunham para o diagnóstico? Que laboratório tinha feito os exames? Vai lá saber. Mas o nono tinha diabetes e a coisa era antiga. Os sintomas não assustavam pela simples razão de que a família ignorava os riscos. Daí que ele ia levando a vida possível a um diabético desinformado. Para se locomover – dentro de casa apenas – apoiava-se a uma bengala. Vinha enxergando cada vez menos. Idade, gordura, óculos de fundo de garrafa, nada impressionava. Ao contrário. Conforme a ocasião, até divertia. Uma vez, cheguei a casa enquanto ele dormia. Fui brincar com meu primo Ciro. Não o saudei nem na hora do almoço. À mesa, ouvindo meu nome, forçou os olhos sobre o meu vulto: “Ah, é o Orivaldo? Pensei que fosse um gato”. Todos rimos; ele, inclusive. Para ver quanta ignorância sobre uma vida que caminhava para o fim.
Não passou muito tempo, piorou de vez. Veio o médico. Recomendou sua remoção para Rio Preto, único centro capaz de tratá-lo. Tio Vito morava em Fernandópolis; tio Menegildo, em Jales. Ligação telefônica demorava um dia inteiro naquele tempo. Foram avisados. Havia urgência em reunir os filhos. Como numa vigília, à espera do pior. Tio Vito chegou no seu carro de praça. Um bem conservado Ford, suponho, ou de outra marca, quem lembra? As portas abriam o necessário a passageiros de compleição comum. Não sei se verdadeira ou falsa, a nós foi passada a versão de que o nono, por excessivamente gordo, não passou na abertura das portas do automóvel. Impossível embarcá-lo. Nem teria adiantado. A situação era muito grave. Morreu ali mesmo, em casa. Naquela noite ou na seguinte, não recordo.
Trinta anos mais tarde, internei a mãe em hospital de Maringá. Exames vistos, o médico me encarou, assustado: “Quer matar sua mãe? Ela chegou perto de um coma diabético”. Sorte que o seu anjo da guarda era o plantonista do dia. Aí é que fui saber que o diabetes é grave e pode-se herdá-lo. Passamos a cuidar. Acho que bem, porque ela chegou aos 94 anos. Morreu lúcida, junto dos filhos, dos quais um também é portador. Mas o mantemos vigiado por endócrino excelente e amigo.
Ainda sinto dificuldade de superar a doce, mas perversa, atração do açúcar. Por que é tão custoso trocar hábitos nascidos no colo materno? Quem, no passado, ensinou nossas pobres mães a adoçar todo sólido ou líquido que nos levavam à boca? Vida afora, acabamos ingerindo tanta porcaria gostosa, não pelo valor nutritivo, mas pelo sabor agradável. Na minha lembrança, e na de muita gente, continua presente a figura do saco de açúcar, lá na despensa, protegido das formigas, mas franqueado às nossas incursões. Quantas vezes nos tornamos coadjuvantes da mãe na confecção daqueles doces chavascados, mais primorosos para nós do que os produzidos nas doçarias da rainha da Inglaterra! Delícias, sim, mas perigosas.   

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tempos Difíceis por padre Orivaldo Robles


Conheci homens e mulheres que enfrentaram vida duríssima. Ganhavam o sustento com o suor do rosto. Suor de todo o corpo. Tive chance de contemplar homens vestidos com o que parecia baixeiro de cavalgadura. Com andar trôpego de canseira, com pés mal defendidos por alpercatas desfiadas. Famílias inteiras davam na roça um duro danado. Saíam antes do nascer do sol para retornar perto do escurecer, quase noite. Até crianças trabalhavam. Melhor serviço pouco na lavoura do que muita confusão em casa.  
Nossa família foi exceção. Só o pai compreendia que meninos deviam estudar. Os tempos eram outros. Ou, na época, a pobreza se espalhava por todo o lado. Em casa, não tínhamos razões de queixa. Ainda que fosse o pai o único envolvido de fato nos cuidados do café, monocultura da região. Pela manhã, íamos à escola. No conforto de um ônibus de linha. Nem sempre sentados, porque, em certos dias, ele já vinha lotado de Araçatuba. Nós lhe dávamos o nome da cidade onde, madrugada ainda, iniciava o itinerário. Se tardava a aparecer, perguntávamos aflitos à moradora da casa junto à estrada: “A Araçatuba já passou”? Nunca perdemos dia de aula. A Araçatuba era única condução do horário. Cumpria o trajeto até São José do Rio Preto. Em estrada de terra batida, do começo ao fim. De asfalto ninguém falava. Estávamos nos alvores dos anos 50. Décadas depois, no Paraná, é que vim a conhecer ônibus escolar. Ainda me pergunto como o pai, com o pobre salário de fiscal de uma fazendola de café, pagava quatro passagens de ônibus por dia. Dois filhos, ida e volta da cidadezinha retirada cinco quilômetros. Tínhamos também nossas obrigações além da escola. Nem de longe, para dizer a verdade, como os meninos de idade semelhante. Descarregar caminhões de palha de arroz ou de café, recolher no pasto esterco de gado para achegar aos pés de café. Palha ou esterco, adubo natural. Num período em que ninguém ouvira falar de empresas multinacionais poluidoras da terra, da água e dos alimentos.
Gente dessa época arcava com asperezas que hoje apenas o ouvir assusta. A alimentação era de uma frugalidade completa. Nada fora do básico e tudo preparado em casa mesmo. Acontecia até de se engolir qualquer bobagem, antes de dormir, para tapear a fome que o estômago insistia em lembrar. Roupa nova só após anos de uso da outra. Remendos de cores várias dificultavam o reconhecimento do tecido original. Muito moleque calçou feliz seu primeiro sapato por volta dos quinze anos. Sem a menor ideia de marca. Se o pisante não machucava os pés, já estava no lucro. Os dedões festejavam o fato de se livrarem de topadas. Distância de alguns quilômetros era no pé mesmo. Ninguém pensava em carro, moto ou bicicleta. Um cavalo, quando muito, vá lá. Para levar a mãe com criança no colo. Os demais seguiam trotando. Como o cachorro, que sempre havia um e sempre ia junto. As casas, se por fora eram modestas, por dentro então, mostravam austeridade difícil de explicar aos filhos de hoje. Nem adianta o esforço. Não conseguiriam compreender.  
E, apesar de tudo, não se reclamava da vida. Nem se maldizia a sorte. Certo fatalismo sertanejo, espécie de “fazer o quê?” nascia com a gente. Ninguém esperava que as coisas caíssem prontas do céu. Armava-se de coragem. Enfrentava privações e dores. E cultivava a solidariedade, coisa hoje um tanto esquecida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

No Mato Grosso do Sul, decisão da Justiça Federal leva indígenas a optarem pelo extermínio e extinção total


No Mato Grosso do Sul, nos últimos dez anos, ocorre um suicídio por semana nas tribos indígenas que ainda sobrevivem na região. O fato já foi denunciado várias vezes por diversas organizações que atuam com a causa indígena. Mas nos últimos dias, uma "carta-testamento”, assinada por representantes da aldeia Guarani-Kaiowá, do município de Naviraí, chama a atenção, sobretudo nas redes sociais, para o criminoso descaso com os povos indígenas, descaso do qual os governos terminam sendo cúmplices e ineficientes em não dar respostas dignas às populações que somente estão lutando por seus direitos ancestrais.
Na carta, enviada ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 170 indígenas destacam uma decisão definitiva: não vão sair de suas terras nem vivos, nem mortos. Cientes de que não vão ter acesso legal às suas terras, já se consideram dizimados, prontos para estarem nos cemitérios onde estão seus ancestrais. Pedem, ainda, tratores para cavar um buraco onde seus corpos possam ser enterrados.
O motivo? A Justiça Federal, representada pelas instâncias competentes, despachou uma ordem de despejo em claro sinal de atendimento aos fazendeiros que ocupam ilegalmente a área onde os indígenas estão acampados, à margem do Hovy, perto de suas terras originárias.
Mesmo com a repercussão, o coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário - Mato Grosso do Sul, Flávio Machado, informou que nada formalmente foi feito para impedir a ação de despejo. A situação, portanto, continua a mesma.
"Em termos de encaminhamento não houve absolutamente nada. Nada foi feito. O que houve é que a carta ganhou repercussão. Mas quando se fala em morte coletiva, isto se dá em duas frentes: o de resistir no território, já que eles não vão sair de lá, e na descrença no Poder Judiciário”, falou à ADITAL, Flávio Machado.
O suicídio, de fato, explica Machado, é praticado há anos entre o povo Guarani-Kaiowá. A situação lá é muito séria. "Esta aldeia já foi atacada três vezes e nenhuma das vezes o assunto foi considerado como genocídio. O que é uma injustiça”, completou.
A Carta
O documento é assinado pela comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay. Nela, 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças falam de sua situação histórica e de uma decisão definitiva diante da postura da Justiça Federal.
"Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira”, afirma um trecho da carta.
De acordo com o posicionamento dos povos indígenas, o suicídio é o único caminho. Um suicídio coletivo induzido pela falta de atenção, pelo desrespeito aos mais básicos dos direitos humanos, o direito à vida.
"A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui”, continua a carta.
Por fim, os Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay – que atualmente estão em 45 mil pessoas – pedem à Justiça Federal sua extinção e dizimação. "Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS”.

sábado, 20 de outubro de 2012

Quem lembrou o Dia do Professor? - por padre Orivaldo Robles


Não sou o único, mas me orgulho de recordar o nome da minha primeira professora. Por mudança da família, comecei a escola em Jales, em agosto de 1949. Tinha oito anos completos, calculem! As exigências para ingresso à escola eram mínimas, então. Aos quatro anos iniciais, porém, se davam uma seriedade e uma importância exemplares. Os professores do “grupo” ensinavam de verdade. Sempre fui aprovado em primeiro lugar. Ao concluir o quarto ano primário (atual quarta série do ensino fundamental), de Português, Matemática, Geografia, História e Conhecimentos Gerais eu dominava um conteúdo melhor do que a maioria dos alunos da oitava série de hoje. Não só eu. Qualquer aluno dos antigos grupos escolares dirá o mesmo.
Família pobre, naquela época, mudava muito. De sítio para sítio, de uma fazenda para outra. Comigo não foi diferente. Colega meu, de quem não lembro o nome, contava, para diversão geral: “Nós mudamos tanto que, lá em casa, quando ouviam um barulho de caminhão, as galinhas já iam deitando e virando as pernas pra cima”. Quem morou na roça entende. Na mudança se levavam os “trens”, os quadrúpedes e as aves. As galinhas iam peadas, penduradas todas numa haste comprida.
Voltando à minha primeira professora, era uma moça querida de todos. Com muita paciência encaminhou pelos meandros do saber aos rudes caipiras que éramos. Chamava-se Erotides Ferrari. Viera de Mirassol. Na sua imensa maioria, nossos professores eram solteiros e tinham residência em outras cidades. Devia haver alguma reunião em que lhes eram oferecidas vagas em localidades que podiam escolher. Ocupavam os dois hotéis do lugar, especialmente o Jales Hotel, ao lado do grupo escolar. Ou se hospedavam em residências. Por muito tempo a prima Iracema teve uma professora em casa. Quase virou membro da família. No Jales Hotel Oscar Aidar, meu professor do segundo ano, morou durante larga temporada. Desse eu guardo lembranças que não morrerão. Fumante, mostrou em sala o malefício do cigarro. Acendeu um, puxou a manga da camisa branca e baforou nela. Exibiu a mancha marrom, explicando: “Assim vai ficando o pulmão de quem fuma. Até se tornar todo preto”. Natural de Sorocaba, era um craque de bola. Tornou-se centroavante e ídolo do time vermelho e branco da cidade. Cobrador oficial de pênalti, não costumava tomar distância. Mal ouvia o trilar do apito, soltava a bomba. Se o goleiro fosse esperto, ainda podia ver o último balanço da rede. Nós, seus alunos, assistíamos às partidas jogadas em casa. Dia seguinte, o recreio era curto para comentários do jogo. Todos ao seu redor, no pátio onde ficava conosco. Não ia à sala dos professores.
Ainda no meu primeiro ano, o diretor escolheu um aluno de cada série e nos incumbiu de presentear nosso professor. Deveríamos fazer uma vaquinha entre os colegas de sala. Quando se conferiram as arrecadações, quase morri de vergonha. Os míseros 7,50 cruzeiros que consegui só deram para comprar uma pavorosa tijelinha de vidro, que Dona Erotides agradeceu e festejou como um presente de rainha. Ninguém falava em Dia do Professor naquele tempo. Para si mesmo o diretor não pensou em presente. Mas aprendemos o valor dos professores.
Seria bom que o professor Paulo, nosso diretor, ainda estivesse vivo. Ele está fazendo falta. Muitas pessoas esqueceram a importância do professor.