quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pela liberdade de consciência

Acho que vale a pena refletir sobre este posicionamento. Para contrapor à última sugestão que postei...

Pela liberdade de consciência 
Dom Demétrio Valentini *

Algumas observações se fazem oportunas, no contexto do processo eleitoral que estamos vivendo. Em meio ao bombardeio diário da campanha, sempre é bom tomar a devida distância, para captar com clareza os critérios a serem levados em conta para iluminar a decisão de cada eleitor.

Os candidatos têm todo o direito de tentar convencer os eleitores a apoiarem suas propostas e a votarem nos seus nomes.

Por sua vez, os eleitores têm todo o direito de votar, livremente, em quem eles querem.

Por outro lado, ninguém tem o direito de exigir o voto de um eleitor, seja por que motivo for. Muito menos por tentativa de compra do voto. Cada eleitor deveria ter a força de repudiar esta tentativa. Mas como pode acontecer a debilidade de eleitores, a própria lei, entre nós, tomou a iniciativa de proibir a compra de votos e de coibir esta prática com o remédio mais adequado, que é a cassação da candidatura.

Mas também, ninguém tem o direito de proibir que se vote em determinado candidato, seja por que motivo for. Quem deve decidir se alguém merece ser votado ou não, são os eleitores, através do voto, no dia das eleições.

Portanto, diante da urna eletrônica, cada eleitor tem o direito de conferir sua consciência e votar em quem ele quiser.

Por diversos motivos, não é bom pressionar indevidamente a consciência dos eleitores, visando forçá-los a votar em determinado candidato.

Em primeiro lugar, não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros. Pois tanto mais forte será a prática democrática, quanto mais os eleitores forem capazes de discernir por conta própria em quem devem votar.

Mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros, em nome de convicções religiosas. A religião que não é capaz de incentivar a liberdade de consciência dos seus seguidores, que se retire de campo. Pois a religião não pode se tornar aliada da dominação das consciências.

Portanto, seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência dos outros. Fazer isto é usurpar um espaço que é sagrado, é invadir a intimidade da consciência do outro, intrometendo-se onde não lhe cabe estar.

Assim se apresentam os princípios, que por si próprios já seriam suficientes para todos se sentirem à vontade, como eleitores livres e soberanos, com todo o direito de votar em quem cada um quiser.

Mas a gente sabe que em tempo de propaganda eleitoral a realidade se complica, por expedientes antiéticos, sobretudo pela disseminação de acusações, que visam deturpar o nome dos adversários, e tirar vantagem eleitorais.

Aí aparecem situações que precisam ser esclarecidas. É curioso, por exemplo, que as mesmas pessoas que questionavam o plebiscito sobre os limites da propriedade, alegando que ele não contava com a aprovação da CNBB, agora difundem cartas procedentes de sub-comissões, de sub-regionais, ou cartas individuais de determinados bispos ou padres, e pretendem invocar sobre estes escritos a autoridade de toda a instituição, quando o Presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha já esclareceu, enfaticamente, que a CNBB não apóia nenhum partido e nenhum candidato, nem igualmente proíbe nenhum partido ou candidato.

Mas dado o joio lançado na seara com astúcia de maligno, talvez fosse conveniente um novo posicionamento do Presidente da CNBB, instituição que em tantas oportunidades já deu contribuições preciosas para o processo democrático brasileiro, e cujo nome não pode agora ficar prejudicado por expedientes que destoam de sua tradição.

Portanto, cada um é livre de votar em quem quiser. Se quiser votar na Marina, vote! Se quiser votar no Serra, vote! Se quiser votar na Dilma, vote! E se quiser votar em qualquer um dos outros candidatos, vote! Mas vote livremente, levado pela decisão a que chegou por sua própria consciência.


* Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

7ª Noite de Oração pela Paz




C O N V I T E

Os membros das religiões em Maringá, abaixo mencionados, fraternalmente convidam V. S.ª e Família para participarem de uma

NOITE DE ORAÇÃO PELA PAZ

Dia: 21/09/2010 (terça-feira) - Início às 20 horas - Encerramento às 22 horas
Local: Auditório Dona Guilhermina – Av. Tiradentes 740 (próximo da Catedral) Maringá

A solenidade será aberta a pessoas de todas as confissões e crenças religiosas

BAHÁ’Í - Dra. Mahasti Sahihi Macedo
BUDISMO - Monge Eduardo R. Sasaki
CANDOMBLÉ - Sra. Maria de L. Nascimento
CATOLICISMO - Dom Anuar Battisti
ESPIRITISM0 - Sr. Lannes B. Csucsuly
EVANGÉLICOS - Rev. Dr. Robert S. Newnum
ISLAMISMO - Sheikh Mohamad E. A. Al Ruheidy
UMBANDA - Sra. Marilza Martins de Paiva

GRUPO DE DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO – G. D. I.
Fone 3226-3838 - Maringá (PR)



sábado, 28 de agosto de 2010

ELEIÇÕES 2010: O CHÃO E O HORIZONTE


A ARAS (Associação de Reflexão e Ação Social) juntamente com o Conselho Arquidiocesano de Leigos e a Arquidiocese de Maringá, estão organizando um trabalho para a conscientização para as eleições 2010: "Eleições 2010 o Chão e o Horizonte".

O trabalho distribuirá Flys durante 4 fins de semana nas igrejas católicas, sempre ao final das missas, o texto leva a uma reflexão no formato Ver, Julgar, Agir.
Veja aqui os textos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Carta de uma mãe que perdeu tragicamente o filho.


Querida mãe,

O que dizer nesta hora tão difícil? O que ouvir quando todos e tudo ao redor parecem sair de um enorme pesadelo e o ruído das vozes que se seguem mal chegam aos ouvidos?
Quando o ar não é mais suficiente e a dor da separação nos leva a sala de parto novamente?
Os dias que se seguirão, parecerão noites e as noites, dias sem fins.
Para cada momento uma lembrança e a ferida que não cicatriza, parece ainda mais exposta e vulnerável com o passar do tempo, dizem que o tempo é o melhor remédio. Creia, amada, ele é amargo demais.
Só há um lugar para onde ir, este refúgio que encontrei tenho tentado ensinar o caminho à outras mães, pois sei que o que nos foi tirado, nosso bem maior, o pequeno ser que embalamos, amamentamos, cuidamos e amamos, nada poderá traze-los de volta, sei que se chorássemos todas as lágrimas e gritássemos todos os gritos de dor que estão contidos em nossas almas, mesmo assim não seriam suficientes para trazê-los.
No primeiro momento tentamos achar o culpado, o rapaz que dirigia estava em alta velocidade. Certamente foi ele, mas e Deus?
Onde estava Deus que não viu o meu lindo moço de cabelos fartos e sorriso encantador, que envolvia todos com suas histórias deixando no ar a sensação de ficar após ter ido?
Porque Deus não fez algo?
Querida mãe, a primeira lição que aprendi, foi entender que Deus me amou e sua misericórdia resgatou meu filho no momento de dor.
Se há um lugar perfeito, onde deixaríamos nossos filhos este é nos braços do Pai.
Deus não interfere, nos deu um mundo para nele vivermos em harmonia e se existe um culpado, infelizmente somos nós!
Aceitamos todas as coisas e só nos importamos quando é o NOSSO filho.
Esta nação está ferida e ferida de morte, o sangue de inocentes está literalmente lavando o asfalto de nossas cidades.
Será necessário morrer um filho de cada família para que algo seja feito?
Nossos jovens estão sendo arrancados de seus lares e sua famílias estão dilaceradas com tamanha dor, o medo nos invade pois os que nos restam ainda, precisam viver neste país sem leis para assassinos de trânsito.
Até quando???
Não terá apenas um deputado que se importe e leve ao congresso as mães que perderam seus filhos nesta guerra horrenda e injusta?
Faltará espaço em Brasília, será maior que qualquer congresso já realizado.Nós somos as mães que prepararam seus filhos para servir a nação!
Meu filho falava quatro línguas, tinha duas faculdades, não usava drogas, não era chegado a bebidas, sempre usou o cinto de segurança, foi morto por um jovem deputado que estava em alta velocidade, embriagado e com a carteira com mais de 130 pontos. Foi decaptado, estraçalhado, moído, não matou apenas meu filho e seu amigo, matou a mim também.
Ensina a criança no caminho em que deve andar e até ficar velho não se desviará dele.
Não podemos apenas chorar, temos que nos unir e de alguma forma mudar o país em que vivemos, para que os outros filhos, os que nos restam, possam ter a oportunidade de viver.
Meu refúgio é Deus, meu porto seguro, minha esperança de rever meu amado.
Se Deus salvasse o seu e não o meu então seria um Deus injusto!
Se precisamos mudar e algo precisa ser feito, então faremos para que outras mães, não venham a sofrer a amargura da separação tão precoce de jovens que antes enchiam a casa de alegria, e agora enchem cemitérios.
Querida mãe, sei que parece impossível mudar um país, mas tambem sei que um país é feito de famílias que desejam o melhor para seus filhos.
Um pai sonha os sonhos de seu filho desde quando nasce e vive como se fôssem seus.
Se é triste e inconsolável a dor da perda de um filho, muito maior será nossa dor se não fizermos nada e perdermos novamente, e creia eu sei do que falo.
'Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco'
Se cada mãe, pai, família, cada cidadão fizer um pouco, teremos muito!
A justiça é para os vivos, os mortos não precisam dela!
E a nação ouvirá o nosso clamor...

Carta escrita por Christiane Souza Yared que perdeu o filho vítima de um acidente envolvendo um deputado paranaense que dirigia alcoolizado, a 160 Km/h e com a carteira de habilitação suspensa. A carta é endereçada a atriz Cissa Guimarães que recentemente também perdeu o filho vítima de atropelamento. O motorista, supostamente participava de um racha na hora do acidente.

"O mártir é livre e não depende dos poderes do mundo", afirma Papa.

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Assim como no último Ângelus, também em seu discurso pela audiência geral da semana realizada nesta quarta-feira o Papa abordou a questão do martírio. Bento XVI dedicou a catequese da audiência aos santos mártires Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz) e Maximiliano Kolbe, cujos dias são celebrados pela Igreja em breve.
Bento XVI disse que o mártir é um exemplo a ser seguido "num tempo como o nosso, em que parecem prevalecer o egoísmo e o individualismo". "O mártir é uma pessoa absolutamente livre, diante do poder e do mundo", destacou o Papa.
As solenidades dos santos Teresa Benedita da Cruz, também conhecida como Edith Stein, e Padre Maximiliano Kolbe acontecem nos dias 9 e 14 de agosto, respectivamente. Dedicando a catequese a essas duas figuras, o Papa diz que "o martírio é um grande ato de amor e uma resposta ao imenso amor de Deus" que dá liberdade. Segundo o pontífice, a "graça de Deus não suprime ou sufoca a liberdade de quem enfrenta o martírio", mas dá "uma liberdade diante do poder e do mundo exercitada em um supremo ato de fé, esperança e caridade realizados por quem sacrifica a própria vida para ser associado em modo total ao sacrifício de Jesus".
Aos que estavam presentes no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo, o Papa disse que "ninguém é excluído do chamado à santidade, à medida alta da existência, a colocar Cristo em primeiro lugar para transformar a nossa vida e o mundo", e por isto os cristãos devem "assumir como primeiro e fundamental compromisso o de crescer a cada dia em um amor maior por Deus e pelos irmãos, transformar a nossa mesma vida e transformar assim o nosso mundo".
O convite do pontífice à santidade se repete também nas saudações em diversas línguas. Aos brasileiros e portugueses presentes - entre os três mil fiéis presentes havia um grupo do Rio de Janeiro -, o Papa pediu que "a intercessão dos mártires vos ajude a assumir o empenho de crescer a cada dia no amor a Deus e aos irmãos, para que assim possais transformar o mundo".
A tradicional audiência geral de quarta-feira, no mês de agosto, se transfere a Castel Gandolfo, onde o Papa permanece até o fim do verão. As audiências são realizadas semanalmente no pátio do Palácio Apostólico.

Fonte: www.gaudiumpress.org 12.08.2010