sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dom Helder Camara

Assisti ontem a um documentário sobre o bispo Dom Hélder Camara (1909-1999). Uma verdadeira história de amor a Deus aos pobres. O documentário se chama Dom Hélder Camara, o Santo Rebelde. Deixo aí um impressionante poema escrito por ele para a Missa dos Quilombos, celebrando a presença afro-descendente no Brasil.
Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens! Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra. Pede ao teu Filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver. Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavra, não fique em aplausos. O importante é que a CNBB a Conferencia dos bispos embarque de cheio na causa dos negros. Como entrou de cheio na Pastoral da terra e na Pastoral dos índios. Não basta pedir perdão pelos erros de ontem.  É preciso acertar o passo hoje sem ligar ao que disserem. Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo.  É Evangelho de Cristo, Mariama. Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grande problemas humanos. Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões. Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas.  O mundo precisa fabricar é Paz.  
Basta de injustiça! De uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar. Basta de uns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano. Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia. Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino.  Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias.  Nem pobre nem rico. Nada de escravo de hoje ser senhor de escravos amanhã.  Basta de escravos.  Um mundo sem senhores e sem escravos.  Um mundo de irmãos. De irmãos não só de nome e de mentira.  De irmãos de verdade, Mariama.

Um comentário:

Caroline Rocha disse...

"Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista." - Dom Helder Camara